Preço de mão de obra nas construções

Tempo de leitura: 4 min

Escrito por eliogualberto
em 30 de maio de 2022

O preço de mão de obra nas construções e a relação de tempo x custo nos orçamentos de obras devem ser tratados com atenção.

Definir preço de mão de obra e a relação de tempo x custo nas composições de preços e orçamentos de obra é uma das questões mais sensíveis quando vamos fechar o valor de uma construção.

Tanto para o dono da obra, que precisa se programar quanto a obtenção dos recursos necessários, quanto para o construtor, que assumirá um compromisso de valor financeiro alto.

Vamos partir da análise de uma forma clássica de definição de preço de serviços, através das composições de preços unitários.

Uma composição de preço unitário é um conjunto de informações detalhadas, organizada na forma de uma tabela, que apresentam os insumos necessários a execução de determinado serviço de construção, de forma unitária.

Assim a composição de preços unitários apresenta os materiais e mão de obra necessários para se executar qualquer serviço.

Por exemplo o preparo de 1m3 (um metro cúbico) de concreto demandará horas de serviços de servente, uma quantidade de cimento, outra de areia e brita, além de horas de betoneira, caso o preparo seja mecânico.

O formato de uma composição para este serviço terá o formato abaixo:

A forma de apresentação dos custos como uma composição unitária facilita muito a apresentação e análise dos dados de um orçamento de obras.

Agora o que precisamos ter em mente é que os custos utilizados para aplicação nestas composições não podem ser feitos de forma “genérica”.

Não podemos, por exemplo tratar todos os serviços de pedreiro da obra como executados por um profissional de capacidade média, usando valores de custos de uma hora de trabalho,  informado como valor mínimo por um sindicato de categoria, mesmo aplicando os encargos sociais típicos para um operário horista ou mensalista.

A maior parte dos serviços de obra bruta da construção podem ser executados por pedreiros classificados como classe “B” ou pedreiros de alvenaria e reboco como podem ser conhecidos.

Veja o caso do assentamento de revestimentos.

Um pedreiro classificado como classe “C” ou pedreiro de acabamento, que tenha em uma composição de preços unitários a produtividade de 15m2 de cerâmica por dia, talvez possa ter seu custo associado com valores fornecidos por sindicatos.

Mas serviços mais especializados, como assentamento de porcelanatos de grande formato, ou mesmo cerâmicas de fino acabamento não poderão utilizar regras de forma tão simples.

É preciso um levantamento de custo de obra mais realistas.

Os profissionais mais qualificados têm custos diferentes dos profissionais medianos, o que é normal em qualquer ramo de negócio.

Ignorar esta realidade ao compor preços de uma obra pode levar seu orçamento a falhas consideráveis, gerando necessidade de aditivos ou prejuízos para quem tem que sustentar a obrigação assumida.

Como equilibrar o preço de mão de obra nas construções e a relação de tempo x custo

A melhor forma de equilibrar o preço de mão de obra nas construções e a relação de tempo x custo empregados nos orçamentos de obras é detalhando melhor os orçamentos.

Evitar simplificações como orçar obra simplesmente por m2 ou somar grandes pacotes de serviços sem considerar particularidades de cada fase.

Separe revestimentos internos de externos, serviços que demandem andaimes daqueles que não precisam.

Considere o momento do mercado, se está aquecido ou não, se o custos de determinado profissional está em alta, se terá que empreitar ou contratar com exclusividade.

Avalie quais benefícios poderá ter que acrescentar para garantir a utilização de bons profissionais, gerando mais custos que os costumeiros.

Voltando ao exemplo do revestimento por porcelanato, veja como a simplificação de custos pode gerar problemas.

Um profissional de assentamento de porcelanato, trabalhando com uma placa de tamanho médio de 90x90cm assenta em média 8 a 10m2 por dia.

Isto nos levaria a uma média de uma hora por metro quadrado de revestimento (1 h/m2).

Com custo de pedreiro azulejista baseado na tabela Sinapi de março/2022 para o estado de Goiás, nos levaria ao custo de R$ 18,71.

Mas este tipo de serviço é empreitado por valores entre R$30,00 a R$40,00 por metro quadrado, o que mostra a necessidade de cuidado com a forma como utilizamos a composição de preços.

Não há nenhum problema no formato do orçamento detalhado com composições, o que precisamos é de cuidado com as informações que serão inseridas nos custos e correta identificação da realidade do mercado da construção civil no momento.

Uma outra forma de usar a composição unitária é informar o valor da empreita, ao invés do custo horário, porém este procedimento dificulta a avaliação do efetivo de pessoal que será alocado na obra.

Isto pode, também, dificultar o dimensionamento de canteiro de obras e outras previsões de custos que dependam da quantidade de operários que irão trabalhar na construção.

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